Discurso do Dr.Ronaldo Lima – Presidente da Abeam
Por ocasião das comemorações do 30º Aniversário
da Abeam

É com muito prazer que recebo a todos para que juntos possamos comemorar os 30 anos da ABEAM- Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo.
Contemplar nossa trajetória nos mostra as lições da história e nos fortalece para traçar novos rumos.
A navegação de Apoio Marítimo é uma atividade de logística fundamental na exploração de petróleo no mar. As plataformas marítimas de perfuração ou produção dependem 100% dos navios de Apoio.
O Apoio Marítimo é uma operação de alto risco que o engenho e arte humana, aos poucos, aprimoraram, tornando uma rotina onde os riscos são aceitáveis.
Hoje em dia, o termo Apoio Marítimo engloba as operações de grande sofisticação, em águas ultra-profundas. Operações de reboque e posicionamento de plataformas, manuseio de âncoras, suprimentos , apoio a construções submarinas e transporte de pessoal .
Parece um filme de aventura. É mais que isso. É uma realidade cotidiana para homens e mulheres que se encontram hoje conosco nesta cerimônia. É um desafio conquistado a cada dia, com treinamento e equipamentos de avançada tecnologia.
A ABEAM completa 30 anos, mas a trajetória do Apoio Marítimo  começa, em 1948, com a primeira plataforma de perfuração em mar aberto, a “Breton Rig 20” , no Golfo do México.
O primeiro navio de Apoio Marítimo, construído no mundo foi o "Ebb Tide", cujo projeto estabeleceu padrões básicos para a construção das embarcações de Apoio.
No Brasil, em junho de 1968, foi no mar de Sergipe que o poço no campo de "Guaricema" começou a ser perfurado pela sonda auto-elevável “Vinegaroon”, de bandeira norte-americana. O Apoio a essa operação pioneira foi realizado através de quatro embarcações, duas de transporte de pessoal e duas para transporte de material, a partir de uma base em Salvador na  Bahia.
Em novembro de 1968 foi lançada ao mar a "Petrobrás I", primeira plataforma de perfuração construída no país, pelo Estaleiro Mauá, no Rio de janeiro.
A partir daí começou a disputa pelo novo mercado e as primeiras empresas de navegação de Apoio Marítimo se instalavam no país.
Em 1972, foi criada a primeira empresa brasileira de Apoio Marítimo, a H. Dantas Serviços Marítimos, uma divisão da empresa de cabotagem do mesmo nome.
Em 1973, a PETROBRÁS importou o navio sonda "Petrobrás II" e os13 primeiros navios de Apoio Marítimo construídos para essa finalidade e que a partir desse momento consolidavam uma frota de bandeira brasileira na Navegação de Apoio Marítimo.
Ao final desse mesmo ano uma Resolução do Governo brasileiro dá suporte legal para a Navegação de Apoio Marítimo, como um dos segmentos da Navegação de Cabotagem e, portanto, para operação exclusiva de navios de bandeira brasileira.
Em 1974, no poço offshore pioneiro de “Garoupa”, na Bacia de Campos, a 100 quilômetros da costa, jorrou petróleo, marcando o começo da produção offshore no Brasil.
Foi nesse mesmo ano criada a Sociedade Auxiliar da Indústria do Petróleo – SATRO, a primeira empresa brasileira autorizada a operar especificamente no apoio marítimo.
Em 1975, a PETROBRÁS importava mais 15 embarcações, entre rebocadores e lanchas para transporte de pessoal. Encomendava também, 13 navios de Apoio, sendo sete no  Estaleiro Estanave , três no Mac Laren,  e três no Inconav.
Logo se tornou necessário a representação unificada dos interesses desse segmento em expansão. Em 1977, foi então fundada a Associação Brasileira das Empresas de Apoio - ABEAM, congregando as empresas pioneiras: Astromarítima, H. Dantas (hoje CBO), Norsul Offshore, Satro e Superpesa Transporte Marítimos.
Atualmente existem 25 empresas de Navegação de Apoio Marítimo operando navios para a PETROBRAS, 17 dessas empresas são associadas à ABEAM.
Hoje, a produção de petróleo offshore representa mais de 80% da produção nacional e a PETROBRAS opera 42 sondas de perfuração marítimas e 97 plataformas de produção, e mantém sob contrato de afretamento 200 navios de apoio e cerca de metade desses navios são de bandeira brasileira.
Este segmento é uma história de sucesso de grande relevância  para afirmação da capacidade de realização dos brasileiros.
Há cerca de dez anos atrás uma ação política da ABEAM propôs a implantação de um Programa de Renovação da Frota de Apóio Marítimo, sugestão que foi testada e aceita pela PETROBRAS, BNDES, o Governo Federal e Estadual. Desde então cerca de 60 novos navios de Apoio Marítimo foram construídos em estaleiros brasileiros, alterando radicalmente o perfil da frota, onde mais de 70% dos navios eram de idade avançada e de bandeira estrangeira.
Atualmente a frota de navios de Apoio Marítimo brasileira é uma das mais modernas do mundo e as empresas brasileiras já participam das estatísticas mundiais como detentoras de navios de avançada tecnologia. Foram criadas 12 novas empresas brasileiras de Navegação de Apoio Marítimo, adequando as empresas estrangeiras, que operavam aqui, à legislação.
Esse programa também antecipou a recuperação da indústria de construção naval brasileira, reativando e criando 11 estaleiros e preparando a indústria naval para iniciar a construção de novos navios petroleiros.
São marcos históricos importantes. Denotam uma disposição clara pelo trabalho e pela realização através de investimentos e capacitação de equipes. Os navios de Apoio Marítimo, neste período, passaram por uma sofisticação tecnológica impressionante. São o resultado do funcionamento eficaz e harmonioso de um complexo conjunto de empresas e organizações privadas e do Governo.
O olhar sobre o cenário da indústria offshore, onde cerca de mais de 40 bilhões de dólares estão sendo investidos até 2011, apresenta a dimensão do desafio que o setor de Apoio Marítimo tem pela frente.
A exploração de petróleo está intensificada. As descobertas se sucedem e a PETROBRAS tem planos de colocar em operação quatro novos campos produtores até 2011.
Isso tudo nos mostra, que devemos continuar trabalhando intensamente para novos programas de Renovação e nacionalização da Frota brasileira de Apoio Marítimo.
Nos agradecimentos fica reservada à PETROBRAS o primeiro lugar. É organização que, em nome do Governo brasileiro, executa o plano de auto-suficiência do País na produção de petróleo. É o cliente, cujos investimentos fizeram nascer esta indústria. É centro de excelência que estabeleceu um padrão de qualidade, segurança e proteção ambiental que todos devem seguir.
Ao Ministério dos Transportes, que define as diretrizes do Conselho Diretor do Fundo de Marinha Mercante, nossos agradecimentos pela competente gestão desses recursos que, aplicados através do BNDES, viabilizaram os contratos de construção de navios para que as empresas modernizassem a frota de navios de Apoio Marítimo de bandeira brasileira.
Ao BNDES, o agradecimento pela condução da análise desses projetos de financiamento com elevado profissionalismo e espírito público.
À Marinha do Brasil por intermédio da Diretoria do Portos e Costas, pelo seu trabalho incessante, zelando pela segurança no mar, sempre sensível às necessidades e peculiaridades do setor.
Responsável pela formação dos quadros de marítimos por intermédio de suas Escolas de Formação , em que pese a escassez de recursos, a DPC vem procurando atender às demandas do Apoio Marítimo em quantidade e qualidade condizentes com as necessidades presentes e futuras.
A Agencia Nacional de Transporte Aquaviário – Antaq, pela serena e eficaz condução da regulamentação do segmento. Aperfeiçoando o arcabouço legal e tornando clara a regra de operação.
Aos marítimos brasileiros e seus sindicatos, cuja força de trabalho e capacidade de desenvolvimento pessoal permitiu a formação de uma equipe de qualidade técnica reconhecida internacionalmente. 
Esse espantoso universo de homens e máquinas operando como organismo único dá seu testemunho.
Um testemunho da capacidade de realização dos homens de boa vontade. Um testemunho do que o trabalho pode construir riquezas e um futuro para todos. Testemunho de que os brasileiros são um povo de invejável disposição e capacidade de realização.
É para mim um orgulho participar desse grupo humano.
Agradeço a presença dos ex-presidentes da ABEAM que receberão agora nossas homenagens.

Muito obrigado,


Carta do Ex-Presidente Delmas Abreu Penteado

 

México, 12 de Abril de 2007.

Prezados amigos e companheiros da ABEAM,
É com muito orgulho e saudades que me dirijo a vocês!
Saudades do convívio fraterno e amigo que sempre tivemos em nosso meio e que
Aportaram fortes vínculos de estima e da amizade pessoal entre todos nós.
Orgulho por termos vivido, ao longo destes 30 anos, uma página inesquecível na
Navegação de Apoio Marítimo no Brasil.
Durante os oito anos que pude compartilhar com a ABEAM, através de minha
Participação direta, pudemos viver um momento inesquecível, onde a reorganização
Do nosso setor foi profícua e com resultados palpáveis, a despeito dos planos
Econômicos do Governo, que traziam apreensões e dificuldades, mas que sempre
Acabávamos superando.
Momentos de conquistas e de forte união.
União, que entendo continua a ser a permanente chamada da força da nossa
Querida ABEAM.
Forte abraço, com meus agradecimentos pela homenagem.
Delmas Abreu Penteado

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